
Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.
Fernando Pessoa
(...) "Que não senti afinal" adoro este poema e há muito tempo não o lia, obrigada!
ResponderExcluirGosto muito das escolhas feitas neste blog!
um abraço,
Rita
Os poemas que vou postando aqui são aqueles de que gosto muito, talvez, porque sejam mesmo lindos ou me impressionem e me toquem.
ResponderExcluirGrata pela visita, Rita, seja bem-vinda!
E volte sempre!
Abraço pra você também.
=]
Esse é um dos poemas que mais gosto do Fernando Pessoa. Melhor dia para degustá-lo não há! Feliz dia da poesia pra gente!
ResponderExcluirBjão
É lindo, mesmo!
ResponderExcluirDegustemos, então...E feliz dia da poesia!
Bjks, Débora!
;*